Se a liderança feminina só aparece em março, ela não é estratégica.
Se a liderança feminina só aparece em março, ela não é estratégica.
Março é importante, porque amplifica discursos, coloca a mulher na pauta em todas as áreas da sociedade, mas estratégia empresarial não depende de calendário e essa é uma pauta para o ano todo e para os próximos anos, enquanto na liderança feminina houver desigualdade de oportunidade e de crescimento.
Se liderança feminina não estiver no planejamento anual, no orçamento e na avaliação da alta liderança, ela é pauta de comunicação - não de governança.
E isso não muda a estrutura.
Diversidade se sustenta com decisão, com meta, com indicador e com responsabilização executiva.
Se não há meta vinculada à progressão hierárquica, nem acompanhamento estatístico recorrente, nem impacto na remuneração variável da liderança, então, não há estratégia.
Pode haver intenção. Mas, intenção isolada não altera a correlação de poder.
E aqui está a pergunta que importa: o que a empresa perde quando trata equidade de gênero como campanha e não como prioridade estratégica?
Ela perde.
Perde em inovação, em retenção, reputação, em inteligência coletiva e competitividade.
Equidade de gênero não é agenda simbólica, é agenda organizacional e econômica também. É pauta de governança.
Se diversidade não está no orçamento, na meta, nas diretrizes, ela também não está no bônus, no lucro e na produtividade.
A pergunta que eu deixo é simples, direta e, talvez, desconfortável:
Sua empresa está estruturando liderança feminina como vantagem competitiva ou está apenas celebrando mulheres uma vez por ano com rosas e bombons?




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